7 motivos para você assistir a “Invocação do mal” hoje no Net Now

Segundo expert em cinema, nenhum filme de terror ultrapassou o hype da fita de James Wan de 2013
Segundo expert em cinema, nenhum filme de terror ultrapassou o hype da fita de James Wan de 2013

E aí, você já viu? Se não, que tal ver nesse Dia das Bruxas? Ou no Dia dos Mortos, se preferir…? Não vai ver de jeito nenhum?! Para você que ainda não assistiu, não se preocupe: não daremos spoilers! Quando “Invocação do mal” foi lançado, em 2o13, fiz questão de assisti-lo em uma sala escura, na tela grande. Reservei um lugar na última sessão da noite de sexta-feira para conferir qual era a razão de tanto burburinho na internet em torno deste lançamento do cinema de terror. Não está acreditando no hype que foi? Dá uma olhada neste vídeo com as reações da platéia ao ver o filme nos Estados Unidos.

Pois então, de cara, decreto: é de dar medo, sim! Vai mexer com o seu imaginário sombrio e lhe deixar meio perturbado. Não, não é um filme do gênero “gore horror” (como “O massacre da serra elétrica”), com sangue pra todo lado, vísceras e tripas voando e pernas sendo cortadas com serras — um tipo de filme de terror que, aliás, eu não curto. “Invocação do mal” é inteligente e desenhado para te deixar sentado na ponta da cadeira, com medo, sem que consiga detectar exatamente o que é que está te deixando tão angustiado. É simples: são os melhores truques dos filmes de terror, compilados em duas horas. É essa a sua ideia de diversão em uma noite de Halloween? Então vai fundo! Ah: tem susto também, do tipo que te deixa com vergonha de ter gritado na frente de um monte de gente que você não conhece.

Foi com a intenção de causar emoções fortes em seus expectadores que os maiores filmes de terror da história do cinema foram malevolamente arquitetados. “O exorcista”, de William Friedkin (1983), por exemplo, utiliza inserções subliminares de imagens (rostos de demônios atrás dos personagens, principalmente nas cenas em que não havia clímax de tensão algum) e sons cientificamente comprovados por perturbarem a mente humana (zumbido de abelhas africanas escondidos na trilha sonora); enquanto “O iluminado”, de Stanley Kubrick (1980), faz uso seu clima opressivo do que está presente e não se vê;  já “Poltergeist”, de Tobe Hooper (1982), passa a ideia de que nossas vidas pacatas e sob controle dentro de cidades e condomínios nunca deixam de estar a mercê das forças ocultas da natureza, que são mais fortes do que nós e nos dominam. Todos dizem: quer ou não reconheçamos este fato, o perigo habita conosco. Dentro ou fora. Visível ou invisível.

Agora, se você me perguntar se “Invocação do mal’ é tão bom quantos os melhores da história do cinema, direi que não é bem assim. Afinal, reinventar a roda nessa altura do campeonato fica meio difícil. Há décadas, filmes de terror seguem fórmulas que, mesmo manjadas, funcionam ou não dependendo da execução. Este aqui é apenas um mish-mash com o melhor dessas fórmulas. E dá certo. Causa medo. Mas é verdade que o expectador mais escolado em filmes de terror vai encontrar no filme de James Wan referências a vários outros títulos, como “Os pássaros” (1963), “O bebê de Rosemary” (1968; atenção para a dedicação deste escriba na produção Vine que ilustra esta resenha ;-)) “Terror em Amityville” (1979), “A bruxa de Blair” (1999), “Brinquedo assassino” (1988), “O chamado” (2002),”Atividade paranormal” (2007) e até da série de TV “American horror story” (cuja quinta temporada com Lady Gaga tem deixado a desejar). Mesmo assim, meus leitores, vale a pena!

Portanto, para quem quiser curtir uma noite bem escura neste sábado de Haloween, aqui vão as sete razões pelas quais “Invocação do mal” ainda é o melhor filme de terror dos últimos tempos.

1) Uso de imaginário e simbologia macabros

Quando Kōji Suzuki criou a estória e os roteiros — japonês e americano — de “O chamado”,  ele teve a grande sacada de ao invés de assustar seus leitores/expectadores com cenas de sustos, ir fundo na ideia de perturbá-los psicologicamente com o uso de símbolos e imagens que comprovadamente causassem desconforto e repulsa na mente humana: insetos, espelhos sem fim, bonecas com rostos macabros, cabeças de animais taxidermizados, brinquedos sinistros, close-ups do olho humano isolado da totalidade da face… Enfim: terror psicológico.

“Invocação do mal” investe nesse truque e dedica a sala inteira de uma casa abarrotada desses cacarecos nefastos, trancados a sete chaves e longe do perigo, até que… trá-la-la.

2) O escuro e o que não se vê

Já acordou numa casa em que você dormia pela primeira vez, se viu completamente no escuro, sem saber o que fazer e… sentiu um medo inexplicável? Portas abertas para quartos ao fundo das cenas, cantos escuros ou mal iluminados e corredores que dão em nada além de um breu infinito são truques de filmes de terror que sempre funcionam, sem precisar criar cenas de sustos.

Quer dar uma volta numa casa cheia disso e ainda ter só uns fósforos para iluminar o porão? “Invocação do mal” é o seu filme!

3) Trilha sonora operística

Você já levou um susto porque alguém ao seu lado gritou quando você menos esperava? Então imagine-se vendo o filme: você já está morrendo de medo, a história está pegando fogo, o demônio está tacando o terror na galera e de repente, abre-se uma porta e não só você vê uma coisa medonha, como também toca uma música apocalíptica no último volume com um coro de vozes emitindo gritos de pavor em forma de cântico operístico! É pra matar, né…?

Não sabe do que eu estou falando? Stanley Kubrick fez uso da sensacional “Atmosphères” de György Ligeti na trilha de “2001 — Uma odisseia no espaço” (1968) para expressar o pavor que tanto homens pré-históricos quanto astronautas sentiram ao dar de cara com o “Monólito Kubrickiano”, um objeto que, aos olhos do expectador comum não passaria de “uma escultura que é uma caixa retangular e preta”, mas que apavora aos personagens. E medo é assim, meu povo: só pode ser um som. Não acreditou ainda? Quer sentir o drama? Veja se os seus ouvidos aguentam. Ofereço a você o pavor sonoro em dois modos: A) Macacos; B) Astronautas. Clique já.

4) Zoom Kubrickiano

Outra manobra genial de Stanley Kubrick para causar pânico era empregar um zoom interminável, eterno e que faz segundos virarem horas, com você tentando focar no que é o detalhe tão importante que estão te mostrando nessa cena apavorante, que vai de um plano aberto, cheio de informações, até um único ponto específico, pontual, preciso e que de apavorante não tem… nada.

Ah: mas que tensão! Você sabe que tem alguma coisa apavorante ali, você precisa olhar e prestar atenção, você já está olhando e prestando atenção, estão te apontando e forçando o seu olhar para aquilo e ainda assim você não encontra… nada.

Usado por poucos e bons, em “Inovacação do mal” vira um truque. Mas, de novo, funciona. Dá uma olhadinha em como o mestre fez isso em “O iluminado”.  Montagenzinha para ver e rever infinitas vezes.

5) Estética setentista bizarra

A década de 1970 foi um período de profusão estética com um raio amplo que ia do genial ao bizarro. Pois bem, se você nasceu nos anos 1980 e ficava assistindo os filmes de terror que passavam no Corujão do sábado à noite — enquanto seus pais iam jantar fora com amigos e te deixavam com a empregada, que dormia e babava no sofá, te deixando livre para experiências cinematográficas traumáticas na TV —, você sabe que filmes incrivelmente assustadores foram produzidos nos anos 1970.

A lembrança é clara: vestidos longos, com golas altas e babados que pareciam de bruxas renascentistas; ternos de três peças rígidos que faziam homens ficarem com cara de padres (gola alta aqui de novo); batas de batismo para meninas grandes em fase pós-menstruação; cabelos desgrenhados para homens e mulheres, do tipo não-tomamos-banho-e-somos-criaturas-selvagens-da-natureza, e estampas hipnóticas que gritavam aos seus olhos e faziam você perguntar: “Moça, porque você está machucando meus olhos…?” e a moça responder: “Durma, criança, durma…”.

“Invocação do mal” tem figurino e cenografias afinadíssimas, com tudo de mais assustador dessa época. Ponto extra para o time de produção!

6) Convivência pacífica com o mal presente

Você já deve ter passado por essa situação na sua vida: alguém que você ama está fazendo algo extremamente arriscado e lidando com isso com displicência, ignorando o perigo, numa espécie de bravata estúpida ou inocente. O que te sobra? Sofrer dos nervos! Aqui é a mesma coisa. Só que você sabe que os personagens estão lidando com o mais nefasto, nocivo e peçonhento do mundo espiritual. O que te sobra? Sofrer dos nervos!

Perguntas: Por que as crianças estão falando com amigos imaginários? Por que você está achando todas essas ocorrências paranormais algo normal? Por que você não está credibilizando o que os seus olhos estão vendo? Muito ácido? Novamente, os anos 1970 propiciaram esta dúvida lúdica em que ver demônios poderia ser apenas algo entre uma bad trip ou o simples o fato de você estar vendo demônios. Hmmm…

E aqui vai mais um ponto para “Invocação do mal”: são poucos os filmes que te mostram de verdade a cara da ameaça sobrenatural que se faz presente e que se safam sem cair no ridículo, desmistificando a aura de terror construída até aquele momento com uma representação tosca do malévolo — tarefa que tanto “A bruxa de Blair” e os títulos da franquia “Atividade paranormal” se recusaram a cumprir a todo custo e maneira. E vai por mim, meu bem: quando você vir o negócio, vai ser feio.

7) Quem será que já viveu na minha casa?

Para finalizar, essa é para você que está naquela fase de “casa nova”: se mudou recentemente para o apartamento que alugou ou a casa que comprou e que, depois dessa maldição deste filme, é obrigado a se perguntar: “Quem será que já viveu na minha casa antes de mim..?”. As chances de um sabá de feiticeiras ter se dado na sua sala é remota, mas que histórias rolaram nesses cômodos antes de você habitá-los e que você nunca vai saber?

Essa premissa é caquética em filmes de terror, mas vamos falar de vida real? Você acha que alguém ia te contar se tivesse dado merda nesse lugar antes de te vender? E por que mesmo eles estão vendendo? São respostas que você não sabe bem se quer ir atrás ou não. Dúvida e temor. O terror apresentado nos filmes é apenas uma representação maximizada dos medos cotidianos que permeiam nossa existência frágil e desatenta.

Conclusão: será mesmo que você quer perguntar pra vizinha como era a família que morava na sua casa antes? E para piorar, no final de “Invocação do mal” você fica sabendo que a história é baseada em fatos reais! Ficou aterrorizado? Vá tirar as suas próprias conclusões: corra para o NET Now e assista nesta noite de Halloween ou no Dia de Finados que se aproxima, já que, em 2016, o diretor James Wan lança “Inovocação do mal 2”.

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PLANTÃO

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